Vereador rasga contracheque de professora em sessão na Câmara de Camaçari e gera reação de sindicato

Um vereador de Camaçari
, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), rasgou o contracheque de uma professora da rede municipal durante uma sessão na Câmara de Vereadores. O fato ocorreu nesta quinta-feira (9). Segundo o g1, a sessão contou com a presença de educadores que ocupavam o plenário para pressionar os legisladores a acelerar a tramitação de um projeto de lei que trata do reajuste salarial da categoria.

Conforme os professores, a proposta está parada na Comissão de Finanças e Orçamento, o que motivou mobilização. Durante a sessão, a presidente do Sindicato dos Professores e Professoras da Rede Pública Municipal de Camaçari (Sispec), Sara Santiago Carneiro, apresentou o contracheque dela ao vereador Jamesson (PL). Em resposta, o edil rasgou o documento e lançou os pedaços em direção à professora.

De acordo com a prefeitura de Camaçari, os professores da rede municipal aprovaram, em assembleia realizada no último dia 10 de março, a proposta de reajuste salarial apresentada pela gestão. O índice varia entre 5,4% e 10,36%, conforme a letra e o nível de cada profissional.

Ainda segundo a administração municipal, os percentuais são resultado da recomposição da tabela do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV), somada ao reajuste do piso nacional do magistério. A proposta teria sido construída com base em estudos realizados em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, com o objetivo de recuperar perdas acumuladas ao longo de quase uma década.

A prefeitura informou também que apresentou seis propostas ao longo das negociações e mantém aberta a mesa de diálogo com a categoria. Em nota, o Sispec classificou a atitude do vereador como “absolutamente repugnante” e afirmou que o episódio representa desrespeito à categoria e às mulheres.

A entidade também acusou o edil de atrasar a tramitação do projeto por interesses políticos, apontando tentativa de prolongar a análise da proposta com base em pareceres de empresa de contabilidade contratada pela Câmara.

Ao final da sessão, o presidente da Câmara Municipal, Niltinho Maturino (PRD), repudiou o ocorrido e afirmou que medidas cabíveis serão adotadas.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador Jamesson apresentou sua versão dos fatos e negou que esteja tentando impedir o reajuste salarial. Segundo ele, o projeto encaminhado pela prefeitura contém inconsistências que precisam ser corrigidas antes da votação.

Ele ainda afirmou que a Comissão de Finanças e Orçamento identificou ao menos 13 pontos que necessitam de ajustes, incluindo questões relacionadas ao Artigo 2º, que, segundo ele, poderia retirar direitos dos professores, item que teria sido posteriormente modificado.

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