UE está em diálogo construtivo com Brasil sobre carne, diz presidente do Conselho Europeu

Foto ilustrativa: Reprodução / Ipea

A Comissão Europeia está em um diálogo construtivo com o Brasil para resolver a suspensão das importações de carne brasileira pelo bloco, afirmou o presidente do Conselho Europeu, o português António Costa, nesta segunda-feira (15), às margens da cúpula do G7 em Évian-les-Bains. Perguntado se seria possível esperar algum anúncio nesta terça (16), quando Lula pode se reunir com a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, Costa evitou responder e disse que o tema cabe à Comissão —e que von der Leyen poderia se manifestar após o encontro.
 

O dirigente europeu reconheceu que o acordo entre a UE e o Mercosul, que entrou em vigor neste ano, representa um avanço na relação com o Brasil, mas ressaltou que “as normas sanitárias têm que ser cumpridas”.
 

Costa, que também se reunirá com Lula nesta terça, fez elogios à participação brasileira no G7 e ao papel do país no G20. “O Brasil é um grande parceiro e teve uma liderança excelente do G20”, disse. “Todos os grandes compromissos internacionais que temos que assegurar implicam, como dizem no Brasil, o engajamento de todos —e o Brasil obviamente não pode faltar.”
 

Costa foi questionado sobre a postura dos Estados Unidos na América Latina. Sem citar Trump pelo nome, o dirigente europeu recorreu ao argumento que a UE tem usado desde a invasão da Ucrânia para defender a consistência do direito internacional —e deixou o recado nas entrelinhas.
 

“As regras do direito internacional têm que ser cumpridas em todo lugar e respeitadas em todo lugar. A soberania, a integridade territorial, o respeito pelas fronteiras são absolutamente essenciais”, disse. “É por isso que nós temos tido uma posição tão clara desde 2022 no apoio à Ucrânia. Porque quando permitimos que um membro permanente do Conselho de Segurança viole as regras básicas das Nações Unidas, estamos dando péssimas ideias a todos os outros Estados.”
 

Costa disse ainda que via “com satisfação” o fato de que países que antes não compreenderam bem a posição europeia de apoio à Ucrânia “agora percebem a importância de defender o direito internacional em qualquer circunstância”.

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