Estudo aponta que Tarifa Zero no transporte amplia o acesso à saúde e reduz desigualdades

domingo, 14/06/2026 – 08h40

O valor da passagem e a precariedade do transporte público no Brasil muitas vezes impedem a população de acessar serviços essenciais, especialmente tratamentos de saúde. É o que revela o estudo “Quem pode circular? Tarifa zero, mobilidade e desigualdades raciais no acesso à cidade e aos serviços”, desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).

A pesquisa, divulgada pela Agência Brasil, aponta que a implementação da tarifa zero traria um impacto direto na qualidade de vida da população mais vulnerável, garantindo a continuidade de tratamentos médicos e reduzindo faltas a consultas e exames. De acordo com os pesquisadores, os obstáculos enfrentados pelos usuários vão além do bolso, englobando uma rotina de estresse e imprevisibilidade.

Para trabalhadores que moram longe dos centros urbanos, o custo diário do transporte pode chegar a valores abusivos (como R$ 18 por dia), limitando o orçamento para outras necessidades e anulando a vida social e cultural. Além disso, a combinação de tarifas caras com frotas superlotadas, atrasos e insegurança faz com que pacientes percam consultas agendadas e interrompam tratamentos de doenças crônicas, atrasando diagnósticos importantes.

A crise da mobilidade urbana afeta desproporcionalmente a população negra e os moradores de periferias, que dependem exclusivamente do transporte público rodoviário para se deslocar até hospitais e centros de reabilitação.

O estudo também destaca que a gratuidade, por si só, não resolve todo o problema se não houver planejamento estrutural. Mesmo pessoas que já possuem direito à gratuidade por lei, como idosos e pessoas com deficiência, ainda sofrem com a baixa circulação de ônibus nas periferias, enfrentando longos períodos de espera e isolamento geográfico.

A viabilidade da Tarifa Zero tem ganhado força nos debates econômicos e sociais do país. Defensores da medida argumentam que o passe livre universal no transporte público poderia funcionar de forma semelhante a programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, promovendo inclusão social e aquecendo as economias locais ao devolver poder de compra à população de baixa renda. Atualmente, ministérios avaliam os impactos fiscais e modelos de financiamento para o projeto.

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