Voto de Fé: Bahia tem 27 candidatos com títulos religiosos, maioria evangélica

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A presença da religião na política baiana mantém a notoriedade nas eleições deste ano. Levantamento realizado pelo Bahia Notícias, com base nos dados do DivulgaCand do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revela que 27 candidaturas ao legislativo baiano (estadual e federal) utilizam abertamente títulos religiosos ou de liderança espiritual em seus nomes de urna.

O cenário evidencia a força de determinados segmentos religiosos na disputa por vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), com um protagonismo expressivo de líderes evangélicos.

O DOMÍNIO EVANGÉLICO
A análise detalhada dos dados mostra uma predominância quase absoluta de candidaturas ligadas às igrejas evangélicas. Dos 27 nomes que declaram vinculação religiosa, 24 são evangélicos, utilizando títulos como “Pastor(a)”, “Irmão/Irmã.” Essa força se concentra especialmente na disputa para a Câmara dos Deputados, onde 19 candidatos protestantes buscam uma cadeira, contra 5 para o legislativo estadual.

Fiéis na Marcha para Jesus

A multiplicidade partidária das candidaturas é notável. Encontramos líderes evangélicos distribuídos em diversas legendas, do PL (Pastor Joneci e Pastora Patrícia) e Republicanos (Pastor Manassés, Pastor Regis, Pastora Renilda) ao PT/PCdoB/PV (Irmão Cleber) e Avante (Pastor Sargento Isidório, Pastor Café). A Federação Renovação Solidária (PRD/Solidariedade) abriga a maior concentração, com cinco pastores na disputa federal (Gilberto, Salomão, Sandro, Vivaldino e Pastora Adriana Maria).

DIVERSIDADE RELIGIOSA NAS URNAS E NA BAHIA
Apesar do forte componente evangélico, a diversidade religiosa baiana também, embora de forma mais tímida, encontra representação na lista de candidatos.

O censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou transformações significativas no perfil religioso do estado. A Bahia segue sendo majoritariamente católica, com cerca de 57% da população de 10 anos ou mais se declarando assim (aproximadamente 7 milhões de pessoas). No entanto, o estado vivencia um declínio constante e acentuado do catolicismo, que perdeu cerca de 728 mil adeptos entre 2010 e 2022 (uma redução de 9,4%).

Vale lembrar que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), proíbe que padres, bispos e diáconos se filiem a partidos políticos ou disputem cargos eletivos, mantendo a instituição apartidária. A CNBB também reforça que a atuação político-partidária é uma vocação própria dos leigos (Aqueles que não possuem cargos na igreja), enquanto ao clero cabe formar consciências e promover os valores do Evangelho.

A determinação provavelmente impacta na baixa representatividade de candidaturas relacionadas à fé católica. Há apenas um candidato federal com vinculação explícita: Robson de Irmã Dulce (PL).

A pulverização das candidaturas religiosas nos mais diversos espectros ideológicos e a consolidação do crescimento evangélico, acompanhado pelo surgimento de representações das religiões de matriz africana, demonstram que a fé, mais do que nunca, é um elemento indissociável do debate público e da vida política.

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